segunda-feira, 26 de setembro de 2016
ESSA LAVA JATO É SÉRIA? ATÉ ONDE?
Mais uma operação deflagrada na semana da eleição e para prender mais um petista, Antônio Palocci. Tem muita gente que foi denunciada nas delações e é investigada, mas ninguém é preso em ações midiáticas como os petistas o são. A intenção parece cada vez mais evidente: acabar com qualquer vestígio do Partido dos Trabalhadores, para que não haja o risco de voltar ao poder tão cedo. Essas prisões de pessoas que exerceram grande influência nos governos do PT e que são muito próximas de Lula e Dilma são uns testes junto à opinião pública para o alvo maior: condenar e prender Lula, provável candidato à presidência em 2018. É preciso testar antes para saber até que ponto haverá reação nas ruas de movimentos sociais e pessoas que apoiam o ex-presidente.
A prisão do ex-ministro Guido Mantega, na semana passada, revelou, mais uma vez, os problemas da Lava Jato. As justificativas para a prisão e soltura mostraram a fragilidade com que o Direito tem sido tratado. Se havia risco claro de Mantega atrapalhar as investigações ou o processo, uma doença na família não poderia anulá-lo. Ou o entendimento do que é ameaça é diferente para os agentes da Lava Jato ou esse perigo simplesmente nunca existiu e a prisão tinha outro objetivo.
A prática da Lava Jato tem sido essa: atirar primeiro e depois perguntar. As prisões têm sido utilizadas com o objetivo de forçar a prática das delações premiadas. Os delatores, assim que entregam aqueles que interessam ao juiz, passam à condição de colaboradores e recebem o prêmio da prisão domiciliar e diminuição das penas. Os delatados passam a ser investigados, mas nem todos, só os petistas.
A prisão do ex-ministro foi determinada por um suposto perigo às investigações, mas, como num passo de mágica, a situação vivida por sua mulher fez com que esse perigo deixasse de existir, ou então, nunca houve necessidade de ele ser preso. Dramas particulares não devem influenciar se há motivos graves para se decretar prisão temporária ou preventiva. O propósito prático para a prisão, nesse contexto, passa a ter duas razões: criar repercussão do fato, mobilizando e tocando a opinião pública e dificultar uma articulação da defesa.
Até agora, as ações da Lava Jato têm tido endereço certo, o PT. Os demais denunciados parece terem sido esquecidos. O desrespeito à Constituição e às leis é flagrante. O STF tem criticado as ações exageradas e desnecessárias. É preciso frear quem acha que tem o poder absoluto. As cortes e instâncias superiores podem fazer isso. Mas, até agora, nenhuma atitude foi tomada para impedir o arbítrio. Como disse Lula, o "Supremo Tribunal Federal está acovardado", ou então, está comprometido com a política quem vem sendo articulada pelos setores da direita. O Estado Democrático de Direito e diversos princípios e garantias constitucionais não podem ser desprezados, nem se tornar letra morta.
Quando o judiciário age movido pela opinião pública, muitos equívocos e injustiças podem ser cometidos. Se é para combater a corrupção na administração pública, que a justiça não escolha quem vai investigar e prender, mas que os critérios e leis sejam aplicados igualmente para todos os acusados.
E Renan, Romero Jucá, Sarney, FHC, Aécio, Eduardo Cunha,...????? Não haverá operação para eles????
quarta-feira, 21 de setembro de 2016
DIA NACIONAL DE LUTA DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA
O Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência foi
instituído por iniciativa dos movimentos sociais, em 1982, e oficializado pela
Lei N° 11.133, de 14 de julho de 2005. A data foi escolhida para coincidir com
o Dia da Árvore, representando o nascimento das reivindicações de cidadania e
participação em igualdade de condições.
Poucos dias após o fim das Paralimpíadas Rio 2016, o Dia
Nacional é comemorado nesta quarta-feira (21 de setembro), e a data chama a atenção,
novamente, para a inclusão das pessoas com deficiência, quase um quarto da
população brasileira.
Em 2008, o Brasil ratificou a Convenção sobre os Direitos das
Pessoas com Deficiência, adotada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e o
Protocolo Facultativo, e o documento obteve aqui equivalência de emenda
constitucional. Da convenção, surgiu a Lei brasileira de Inclusão, que trata os
objetivos de forma mais concreta e entrou em vigor em janeiro deste ano. Alguns
artigos ainda precisam de regulamentação com prioridade.
É necessário facilitar o acesso das pessoas com deficiência a
órteses e próteses, além de aumentar a acessibilidade urbana e na comunicação.
Até 2008, prevaleceu muito a avaliação da deficiência sob o olhar médico. Com o
conceito de deficiência pela convenção, não é só a deficiência pura e
simplesmente que conta, mas o contexto social em que a pessoa vive que vai
torná-la mais ou menos limitada. Se forem quebradas as barreiras físicas,
atitudinais e comportamentais, as limitações da deficiência serão sempre mais
minimizadas e superadas.
Pelo Censo de 2010 do IBGE, o número de pessoas com
deficiência no Brasil já pasou de 45 milhões, ou seja, pelo menos 24% da
população brasileira diz ter algum tipo de deficiência. Esta população não quer
apenas ter rampa, banheiro adaptado ou lugares reservados nos transportes
coletivos. Elas querem respeito e dignidade, além de participar das discussões
que vão regular suas vidas, querem mais educação de qualidade, saúde, cultura
com acessibilidade e inclusão, trabalho que promova seu desenvolvimento, e
sentir realmente que há uma verdadeira mudança na sociedade, no modo como ela
percebe, vê e trata os diferentes.
Em contraste com o número de pessoas com alguma deficiência
no Brasil, a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do
Trabalho, mostra que 327.215 pessoas com deficiência ocupavam vagas no mercado
de trabalho formal em 2014, mesmo com a Lei das Cotas garantindo o direito de
inserção à essas pessoas nas empresas.
Nas escolas, segundo dados do Ministério da Educação, o
acesso de pessoas com deficiência aumentou 381% entre 2003 e 2014. Nesse
intervalo, o número de matrículas saltou de 145.141 para 698.768. O grande
desafio na educação agora, além de continuar a garantir a inserção de novos
alunos com deficiência no sistema formal de ensino, é o de garantir a
aprendizagem e o sucesso desses alunos na escola.
A edição das Paralimpíadas Rio 2016 foi um marco na luta e na
história do esporte brasileiro. Participaram 287 atletas (185 homens e 102
mulheres) em 22 modalidades. A maior delegação já enviada pelo país. Os atletas
conquistaram 72 medalhas, 67% a mais do que na edição anterior, em Londres.
Foram vendidos 2,1 milhões de ingressos no total, segunda maior bilheteria da
história das Paralimpíadas. O evento trouxe maior visibilidade para a
eficiência, qualidades e capacidades de superar os próprios limites das pessoas
com deficiência.
A reflexão sobre os direitos das pessoas com deficiência
envolve justiça social, direitos humanos, cidadania, democracia, igualdade
social e respeito às diferenças. Lutar por estes direitos é não se resignar, é
não aceitar, é não deixar de denunciar, é resistir ao estado das coisas que
insistem em promover a exclusão social e favorecer uma lógica perversa do
capital que cria cada vez mais injustiças.
quinta-feira, 8 de setembro de 2016
DEPUTADO PEDRO KEMP REPUDIA O GOLPE E ALERTA PARA AS MEDIDAS ANUNCIADAS PELO GOVERNO ILEGÍTIMO DE TEMER
O deputado
estadual Pedro kemp repudiou, na tribuna da Assembleia Legislativa, o que
chamou de golpe parlamentar-jurídico-midiático, articulado pelo PMDB do
Deputado Federal Eduardo Cunha e pelos partidos de oposição, que tirou do poder
a presidenta Dilma Roussef, eleita democraticamente por 54,5 milhões de
brasileiros, no último dia 31 de agosto.
Disse que, desde o anúncio da vitória de Dilma, em 2014, aqueles que perderam as eleições iniciaram uma campanha para desestabilizar o governo, questionando o resultado das urnas, pedindo reprovação das contas de campanha da presidenta e tentando impedir sua posse. Logo em seguida, deflagraram a campanha pelo impeachment. A grande mídia se encarregou de estimular as manifestações de rua e setores do judiciário, da polícia federal e do ministério público fizeram a parte de denunciar seletivamente as lideranças do Partido dos Trabalhadores. Na Câmara dos Deputados, seu presidente Eduardo Cunha se encarregou de aprovar medidas para aumentar gastos do governo e de boicotar a aprovação dos projetos do governo Dilma para enfrentar a crise econômica. E, quando o PT se negou a votar em favor de Cunha no processo de cassação do seu mandato na comissão de ética, o mesmo cuidou de recepcionar o pedido de impeachment da presidenta.
Disse que, desde o anúncio da vitória de Dilma, em 2014, aqueles que perderam as eleições iniciaram uma campanha para desestabilizar o governo, questionando o resultado das urnas, pedindo reprovação das contas de campanha da presidenta e tentando impedir sua posse. Logo em seguida, deflagraram a campanha pelo impeachment. A grande mídia se encarregou de estimular as manifestações de rua e setores do judiciário, da polícia federal e do ministério público fizeram a parte de denunciar seletivamente as lideranças do Partido dos Trabalhadores. Na Câmara dos Deputados, seu presidente Eduardo Cunha se encarregou de aprovar medidas para aumentar gastos do governo e de boicotar a aprovação dos projetos do governo Dilma para enfrentar a crise econômica. E, quando o PT se negou a votar em favor de Cunha no processo de cassação do seu mandato na comissão de ética, o mesmo cuidou de recepcionar o pedido de impeachment da presidenta.
¨Se não
bastasse a grave crise econômica que o país está atravessando, fizeram de tudo
para atrapalhar o governo Dilma e se negaram a aprovar as medidas necessárias
para ajudar o país voltar a crescer. São pessoas mesquinhas, que só pensam nos
seus interesses mais egoístas. O que
queriam a todo custo era voltar ao poder sem passar pelo voto da população”,
disse Kemp.
RETROCESSOS
Segundo o
deputado, Dilma foi afastada arbitrariamente, uma vez que não ficou comprovado
que a mesma tivesse cometido crime de responsabilidade, e o governo ilegítimo
trabalha hoje para aprovar uma agenda, que prevê cortes de direitos dos
trabalhadores e retrocessos nas conquistas sociais dos últimos anos. Alegando a
necessidade de cortar gastos e de fazer o equilíbrio das contas do governo,
Michel Temer anuncia cortes drásticos nos programas sociais, que foram
responsáveis pela redução da pobreza e da fome no país; aumentar o tempo de
contribuição para aposentadoria; fazer reforma trabalhista, deixando
vulneráveis os trabalhadores nas relações de trabalho; aprovar o projeto das
terceirizações; congelar por vinte anos dos gastos em saúde e educação;
abrir para os estrangeiros a compra de terras brasileiras; vender as reservas
do pré-sal; abrir nova onda de privatizações.
“O atual
governo, ilegítimo, planeja jogar para os trabalhadores o pagamento da conta
para enfrentar a crise econômica, enquanto isso manda para o Congresso Nacional
projeto de reajuste dos salários dos ministros do STF, que vai provocar
aumentos salariais em cadeia do funcionalismo em todo país. Fala em cortar
gastos, mas até agora só prevê gastar mais, já que aumentou a previsão do
déficit para este ano em 170 bilhões”, denunciou o deputado.
IMPORTÂNCIA
DA PARTICIPAÇÃO POPULAR
Pedro Kemp
afirma que, mais do que nunca, a hora é de lutar, de fazer frente ao retrocesso
que está em curso no Brasil. Disse que as manifestações que estão ocorrendo
pedindo “Fora Temer” e contra a aprovação das medidas anunciadas por seu
governo tendem a crescer e que são muito importantes para o futuro da nação que
queremos, com mais justiça social e democracia. Exortou a que o povo não fique
passivo diante dos fatos e conclamou a todos para participarem das
mobilizações.
Segundo
Kemp, “os partidos de direita que perderam as últimas eleições fizeram uma farsa
no Congresso para afastar a Dilma, para voltar ao poder e para barrar as
investigações da Operação Lava Jato. Alegando combater a corrupção,
criminalizaram o PT e se articulam de todas as formas para impedir que avancem
as denúncias envolvendo os políticos de outras siglas. Por que não andam as
investigações contra eles? Parece até que a Lava Jato está no fim”.
Para o
deputado, o momento político que estamos atravessando é muito grave e não
podemos aceitar que a democracia brasileira seja golpeada como está sendo.
“Estamos tristes, mas precisamos transformar nosso luto em luta”, concluiu.
quarta-feira, 10 de agosto de 2016
NOS JOGOS OLÍMPICOS DE CARTAS MARCADAS, O IMPEACHMENT SE APROXIMA DO PODIUM
A presidenta Dilma Roussef, eleita por mais de 54 milhões de brasileiros nas últimas eleições, passou a ser ré no processo de impeachment, após a votação no Senado, que aprovou, por 59 votos a 21, o relatório da Comissão Especial que recomenda seu julgamento pelo plenário da Casa. Na última etapa do processo, após o depoimento das testemunhas, os senadores votarão pela condenação ou absolvição da presidenta, em sessão presidida pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, onde serão necessários 54 votos para confirmar o impedimento de Dilma.
Tudo caminha para confirmar o jogo de cartas
marcadas.Num processo que não se sustenta na acusação
de que a presidenta tenha cometido crime de
responsabilidade, fica cada vez mais evidente a motivação política do
impeachment, para devolver o poder às velhas oligarquias e articular o fim das investigações da Operação Lava Jato, conforme ficou comprovado nas delações do ex-presidente da
Transpetro, Sérgio Machado.
Iniciado de forma viciada,
na Câmara dos Deputados, por meio de uma atitude revanchista do então
presidente Eduardo Cunha, que não contou com os votos do PT na Comissão de
Ética para barrar o processo de cassação do seu mandato, o impedimento da
presidenta significa a mais ardilosa articulação de um
golpe que aniquila a democracia brasileira.
Para concretizar o afastamento de Dilma, o
vice-presidente montou um verdadeiro balcão de negócios nos
bastidores e articulou um ministério para atender os interesses dos parlamentares, distribuindo cargos e vantagens
no Governo Federal. Agora, com a caneta na mão, o presidente interino ameaça os senadores, deixando claro
que só vai contemplar com cargos e outras benesses aqueles que votarem a favor
do golpe.
Em pleno cenário de Olimpíadas, podemos dizer
que o jogo em Brasília é bruto, truculento, sem o mínimo de ética. Os jogadores jogam, mesmo com comprovado uso de
doping, ou seja, delatados nos esquemas de corrupção. Enquanto no Senado a
farsa caminha para o lance final, com a cantilena das pedaladas fiscais
repetida à exaustão pelos golpistas, o governo ilegítimo da direita
conservadora volta com muita sede ao pote, para impor o estado ultraneoliberal. Sem aguardar a consolidação do impeachment, articula, desde já, a aprovação de
projetos que vão comprometer a oferta dos serviços públicos, reduzindo
investimentos em áreas essenciais como saúde e ducação; do projeto da terceirização; da reforma da Previdência; de mudanças na legislação trabalhista, para privilegiar as convenções coletivas; das privatizações; de
venda do Pré-Sal; de venda de terras para
estrangeiros. Medalha de ouro para o retrocesso.
O que
mais me preocupa é que grande parte da sociedade brasileira continua
assistindo tudo das arquibancadas da Globo e Cia Ltda, e não se deu conta ainda
do que está em curso no País. Quanto aos trabalhadores, se não reagirem a tempo, por meio de suas organizações de classe e dos
movimentos sociais, sofrerão perdas de conquistas históricas, numa conjuntura de crise e ameaças de desemprego. Amanhã ou depois,
poderá ser tarde demais para barrar tamanho
ataque aos direitos e avanços sociais.
A luta tem que continuar. Não podemos
abandonar a arena antes de o jogo terminar. Em se
confirmando o afastamento definitivo da presidenta Dilma, no
Senado, é preciso acionar o Supremo Tribunal Federal, apesar de o mesmo
estar, em parte, comprometido com o golpe, e denunciar os vícios do processo, já
que, no presidencialismo, não cabe o afastamento do mandatário da nação
por razões políticas ou por perda de sustentação na base parlamentar, mas apenas por comprovado cometimento de
crime de responsabilidade. É preciso, ainda, denunciar o golpe nos organismos internacionais, como
a Comissão de Direitos Humanos da OEA, bem como levar ao conhecimento dos países com tradição democrática.
A articulação parlamentar-jurídico-midiática quer,
não só interromper o governo legítimo da presidenta Dilma,
mas também condenar o ex-presidente Lula, para inviabilizá-lo como candidato nas próximas eleições, e cancelar o registro do
Partido dos Trabalhadores no TSE, enterrando de vez um projeto político popular
no Brasil. Enquanto isso, o Palácio
do Planalto e a Câmara preparam
um plano para salvar Eduardo Cunha, que teria dito a um delator que sustenta financeiramente 200 deputados.
As medalhas de ouro estão ficando só para os
golpistas. Ou reagimos agora com força ou ficamos sem
medalha alguma quando a pira olímpica se apagar.
segunda-feira, 8 de agosto de 2016
10 ANOS DA LEI MARIA DA PENHA
A Lei de proteção à mulher vítima da violência doméstica, a qual recebeu o nome da farmacêutica brasileira Maria da Penha, que lutou para que o ex-marido fosse punido, depois de seguidas agressões que a deixaram paraplégica, completou dez anos no último dia 07 de agosto. Sem dúvida, representou uma grande conquista em nosso país, fruto da evolução social e histórica dos direitos das mulheres, que precisa se tornar mais conhecida e ser aplicada com efetividade, a fim de contribuir para a redução dos elevadíssimos índices de mulheres que são vítimas das mais variadas formas de agressões a sua integridade física e psicológica.
Não tem sido fácil o enfrentamento à violência contra
as mulheres, uma vez que esta não é fruto de um comportamento masculino
determinado por sua natureza biológica, mas, resultado de uma construção
histórico-social que resultou no que chamamos de uma cultura machista, onde os
homens assumiram atitudes de superioridade e posições de poder em relação às
mulheres. Posturas sexistas dos homens foram ensinadas e transmitidas de pais
para filhos, de geração em geração, e relegaram a condição feminina ao espaço
doméstico e numa situação de subalternidade. Alterar essa realidade requer,
além de punir atos criminosos contra as mulheres, mudança de mentalidade, internalização
de novos valores, superação de preconceitos e a construção social da
perspectiva da igualdade material de gênero.
Dados divulgados pela Secretaria de Políticas para as
Mulheres da Presidência da República, a partir das denúncias recebidas pelo
Ligue 180, revelaram que, entre janeiro e outubro do ano passado de 2015, foram
mais de 63 mil casos de violência contra a mulher, número equivalente a um
relato a cada 7 minutos. Uma verdadeira epidemia, uma realidade que reclama a
mobilização da sociedade e a articulação de uma rede de proteção e defesa das
mulheres vitimizadas, além da implementação de ações preventivas.
Embora as estatísticas possam traçar o perfil da
mulher agredida, revelando uma maioria negra, de baixa renda e pouca
escolaridade, é importante ressaltar que a violência vitimiza mulheres de todas
as idades, etnias, graus de instrução e condição socioeconômica, sendo,
portanto, uma questão de gênero. Muitas vezes, os casos referentes às pessoas de
classes mais altas não chegam a entrar nas estatísticas, pois ficam restritos
aos escritórios e clínicas particulares, não sendo registrados em delegacias e
hospitais. Estas são áreas mais frequentadas pelas pessoas de baixa renda.
Outros tantos casos não são denunciados pelas mulheres por medo das ameaças que
sofrem ou por falta de conhecimento dos seus direitos.
Não é uma tarefa simples para a mulher vítima de
violência denunciar seu agressor. Os principais complicadores são que, na
maioria dos casos, a agressão ocorre no ambiente doméstico e no contexto da
relação de um casal, onde o agressor é seu companheiro. A situação pode envolver
vínculo afetivo, presença de filhos, dependência econômica, o que leva a
mulher, muitas vezes, a se submeter à opressão e a silenciar. É aqui que está a
importância da Lei Maria da Penha, como um dos principais instrumentos de
empoderamento das mulheres na luta contra a violência que sofrem.
A Lei
11.340/2006 veio corrigir um grave problema da justiça brasileira, que acabava
sendo conivente com crimes de violência doméstica, por falta de instrumentos
legais que possibilitassem a apuração mais rápida e a punição desses crimes,
além da proteção imediata das vítimas. Antes do advento da Lei, os casos de
violência doméstica eram levados aos juizados especiais criminais, responsáveis
pelo julgamento de crimes considerados de menor potencial ofensivo e, quando
não eram arquivados, resultavam na condenação do agressor a pagar uma multa ou a
doar cestas básicas, por exemplo. Não havia previsão de decretação de prisão
preventiva ou flagrante do agressor.
Hoje, as
denúncias de violência doméstica contra a mulher são levadas aos juizados
especializados, onde os juízes podem decretar a prisão do agressor, ou, de
acordo com os riscos que a mulher corre: determinar o afastamento do suspeito
da casa da vítima e proibir seu contato com a mesma e seus familiares;
estabelecer a inclusão de mulheres dependentes economicamente de seus
agressores em programas de assistência governamentais, além de obrigar o agressor
ao pagamento de pensão à vítima.
Assim,
nota-se que a Lei Maria da Penha representou uma importante conquista das
mulheres contra a violência e a impunidade. Passou a ser um ponto de partida
para novas leis, como a lei do feminicídio, por exemplo, e novas políticas
públicas voltadas à ampliação dos direitos e do empoderamento das mulheres na
sociedade brasileira. Porém, a lei por
si só não transforma a realidade. Para que produza os efeitos, para a qual foi elaborada,
deve ser de domínio de todas as mulheres, e necessita do suporte de uma rede de
atendimento e proteção às mulheres vítimas de violência, qual seja, delegacias
especializadas da mulher em regime de 24 horas de atendimento, nos finais de
semana, inclusive; promotorias e defensorias públicas da mulher; juizados
especializados; casas de acolhimento; e centros de atendimento públicos às
mulheres.
Essa
conquista não admite retrocessos. Hoje, tramitam no Congresso Nacional mais de
60 projetos de alteração da Lei Maria da Penha, alguns deles extremamente prejudiciais
ao enfrentamento da violência doméstica contra as mulheres, como o que atribui
à autoridade policial a concessão de medidas protetivas de urgência ou o que
propõe a substituição da palavra gênero por sexo feminino. É imprescindível o
combate à violência, produzida pela cultura machista, que naturaliza a opressão
e a violação da dignidade das mulheres.
Lei Maria
da Penha: ferramenta de luta contra a violência doméstica; meio de garantia de
proteção e defesa; instrumento de resgate da cidadania das mulheres; símbolo da
luta pela igualdade de gênero. Nenhum passo a trás. Nenhum direito a menos para
as mulheres.
sexta-feira, 15 de julho de 2016
PUNIR PARA NÃO EDUCAR OU EDUCAR PARA NÃO PUNIR?

Está em tramitação, na Assembleia Legislativa, projeto de lei que pretende obrigar as escolas estaduais a aplicar penalidades como atividades com fins educativos aos alunos indisciplinados, que cometem atos de vandalismo ou violência contra terceiros. As penalidades seriam impostas pelos gestores escolares com a anuência dos pais ou responsáveis e teriam como objetivo a prática de preservação ambiental, a reparação de danos ou a realização de atividades extracurriculares.
Numa primeira análise, o projeto parece ter boa intenção, na
medida em que pretende corrigir comportamentos antissociais e inadequados na
escola por meio de ações educativas. O problema é que as tais ações educativas
propostas se resumiriam à imposição de atividades laborais ou tarefas como
penas ou castigos do tipo: o aluno agrediu verbal ou fisicamente alguém, ou
ainda, depredou o ambiente na sala de aula, no pátio, no muro da escola,
ficaria obrigado a lavar banheiros, limpar a sala de aula, lavar pratos, pintar
paredes ou trocar vidros quebrados, por exemplo.
Não nos deteremos aqui na análise da proposta do ponto de
vista da sua legalidade, embora vários operadores do direito já tenham
manifestado que se trata de uma iniciativa inconstitucional, uma vez que, pela
legislação brasileira, somente o juiz da infância e da juventude é reconhecido
como autoridade para aplicar sanções (Lei n° 8.069/90 – Estatuto da Criança e
do Adolescente – art. 112 e art. 146), não sendo possível delegar esta competência
aos gestores dos estabelecimentos de ensino. Nosso objetivo aqui é o de
discutir o mérito do projeto e as consequências da sua aplicação no ambiente
escolar, levando-se em conta as finalidades da educação.
A problemática da indisciplina e da violência nas instituições de ensino tem
desafiado os gestores escolares e professores. É frequente o registro de casos
graves de depredação dos prédios das escolas, de alunos armados, de tráfico de
drogas, de brigas entre estudantes e ameaças a professores e funcionários. Essa
realidade tem suscitado debates na sociedade sobre como enfrentar o problema e,
lamentavelmente, o que prevalecem são as propostas alicerçadas no senso comum,
que vão pelo caminho mais fácil da repressão e da punição. Há um discurso
falacioso de que punir educa e, de que, quanto mais severas as penas, mais eficazes
são.
Vivemos tempos difíceis, tempos de crise de um modelo
econômico que não consegue dar respostas aos problemas das desigualdades
sociais, decorrentes do processo de acumulação do capital. E essa crise se faz
refletir em todos os aspectos da atividade humana, como, por exemplo, na
decomposição da política, no esvaziamento de conteúdo da educação, na
decadência das produções culturais, no fundamentalismo religioso e
mercantilização da fé. O pensamento lógico, fundamentado, coerente, vai cedendo
espaço cada vez mais ao pensamento conservador, sectário, autoritário. Este é o
terreno fértil para grandes retrocessos no sentido da participação social e da
garantia de direitos.
Neste contexto de crise, as famílias perdem os referenciais
de educação dos seus filhos e transferem esta responsabilidade para a escola,
que, de agência especializada na construção e sistematização do conhecimento,
passa a ser o desaguadouro das consequências de uma sociedade decadente. Grande
parte dos alunos chega às unidades escolares desprovidos de valores e sem
limites no comportamento, desmotivados com uma educação sem sentido e que não
lhes assegura perspectivas de inserção social, prontos a reagir às imposições de
uma sociedade que os exclui. E a reação desses alunos normalmente se dá na
mesma proporção da violência que recebem. Ao invés de geradores de violência,
são vítimas.
Recorrer aos métodos punitivos no ambiente escolar é assunto
polêmico entre educadores, profissionais da psicologia e especialistas na área
dos direitos de crianças e adolescentes. Estudos sobre o assunto demonstram que
a punição não gera responsabilidade, ao contrário, pode produzir medo, revolta,
sentimento revanchista, e é capaz de inibir o comportamento que se quer
corrigir apenas por um tempo e quando se está na presença da autoridade, ainda mais quando a pena imposta não tem qualquer relação com a transgressão como, por exemplo, obrigar o aluno a varrer a sala de aula por ter agredido verbalmente a professora.
Bastaria olharmos para os altos índices de reincidência dos apenados no sistema
prisional ou para a quantidade de multas de trânsito, com valores cada vez mais
elevados, para nos certificarmos dessa realidade. Além do mais, aplicar
penalidades aos alunos pode levá-los a situações vexatórias e constrangedoras,
que em nada contribuiriam para sua formação.
Comportamentos antissociais e violentos não podem ser tolerados na comunidade escolar. Educar exige dos educadores firmeza na cobrança das responsabilidades dos alunos e coerência entre discurso e prática, porém é imprescindível que, antes da cobrança, a escola formule com clareza, com todos que a compõem, as normas que vão reger as relações, para propiciar o melhor ambiente ao desenvolvimento das atividades educacionais. Nenhum problema a que um aluno venha a reparar um dano causado ao espaço físico escolar, desde que tenha tomado parte do estabelecimento da regra e que esteja consciente de que aquela tarefa é uma resposta adequada para o estrago que cometeu. A reparação do dano não pode ser vista como castigo, mas como comportamento que foi combinado previamente e que é esperado de alguém que responde por seus atos.
Comportamentos antissociais e violentos não podem ser tolerados na comunidade escolar. Educar exige dos educadores firmeza na cobrança das responsabilidades dos alunos e coerência entre discurso e prática, porém é imprescindível que, antes da cobrança, a escola formule com clareza, com todos que a compõem, as normas que vão reger as relações, para propiciar o melhor ambiente ao desenvolvimento das atividades educacionais. Nenhum problema a que um aluno venha a reparar um dano causado ao espaço físico escolar, desde que tenha tomado parte do estabelecimento da regra e que esteja consciente de que aquela tarefa é uma resposta adequada para o estrago que cometeu. A reparação do dano não pode ser vista como castigo, mas como comportamento que foi combinado previamente e que é esperado de alguém que responde por seus atos.
O papel da escola, portanto, não é o de punir, que não educa,
mas o de educar, para não precisar punir. Infelizmente, em muitos casos nem
podemos falar em reeducar ou ressocializar, pois estamos tratando de alunos que
nunca foram educados ou que foram mal educados. À escola cabe a tarefa de
estabelecer os limites da convivência social entre os alunos, a partir do
estabelecimento de relações que os levem a refletir e a tomar consciência dos
seus atos, a responder pelo que fazem e a assumir compromissos.
Educadores devem fazer do ambiente escolar um espaço de acolhida e propiciar a construção do regimento da instituição de forma participativa, onde os alunos se sintam integrados ao processo e corresponsáveis por sua execução. As normas da escola, embasadas nos princípios da cidadania e da dignidade da pessoa humana, devem ser conhecidas por todos e consideradas como instrumentos da convivência democrática e respeitosa. Todos devem acreditar na força da educação e que esta exige a paciência do oleiro que molda a argila para fazer surgir o vaso perfeito.
As punições podem levar a resultados imediatos, porém
ilusórios e transitórios. A educação, alicerçada em processos do diálogo e do
respeito mútuo, na internalização de valores e de regras sociais, em relações
fraternas e humanizadoras, é o caminho mais seguro para a formação de pessoas
éticas, autônomas e responsáveis. Com certeza, este não é o caminho mais fácil,
mas, sem dúvida, é aquele que nos poderá levar a uma outra sociedade, mais justa
socialmente e mais humana.
quinta-feira, 23 de junho de 2016
ORDEM E PROGRESSO
As ruas estão vazias. As camisetas verde-amarelas da
CBF voltaram para os armários. As panelas estão silenciosas. Tudo voltou a ser
como antes no cenário político. As velhas raposas retornaram aos postos do
poder. O país recuperou a tradicional política da ordem e do progresso.
A ordem foi restaurada por um ministério de homens
brancos, ricos e de opiniões conservadoras. Homens tementes a Deus, defensores
da moral e dos bons costumes, mas apenas defensores, uma vez que não servem de
exemplos dos valores que pregam. Ordenaram às mulheres o retorno às atividades
domésticas, aos negros a submissão aos espaços inferiores, aos LGBT’s a condição
de marginais e transgressores dos padrões da moralidade, aos artistas o lugar de
desocupados, condenando os “esquerdistas”, “bolivarianos” e “parceiros de Cuba”
como corruptos e inimigos da família.
Para preservar a ordem, preparam a aprovação de
algumas medidas que consideram fundamentais, como a redução da maioridade
penal, que, segundo creem, contribuirá decisivamente para diminuir a violência no país; o projeto “escola sem
partido”, para acabar com a doutrinação de esquerda das crianças nas escolas; a
mudança do estatuto do desarmamento, a fim de armar a população contra os
criminosos; o fim das demarcações das terras indígenas, afinal, para que querem
tanta terra os índios se não produzem, não criam gado e não plantam soja e
milho para exportar?
O caminho para o progresso também foi restabelecido e
agora o país marcha a passos largos na direção de vencer a crise econômica e
voltar a crescer. As palavras de ordem são reduzir os gastos e atrair
investimentos. Como? Fazendo cortes nos programas sociais como o Bolsa Família,
uma vez que esse programa tem muitos desvios e acomoda os pobres que não querem mais
trabalhar; limitando gastos com saúde e educação, até porque o atendimento
universal do SUS precisa ser revisto, gasta demais e não funciona, e o piso
salarial dos professores está quebrando as prefeituras e governos estaduais;
terceirizando as atividades fins nas empresas privadas e no serviço público e
flexibilizando a legislação trabalhista, pois a CLT é atrasada e os encargos
sociais são pesados e emperram a economia; permitindo a compra de terras por
estrangeiros, pois vão trazer investimentos para o país; fazendo a reforma da
Previdência, pondo fim ao rombo nas finanças públicas causado pelo pagamento
dos vencimentos dos aposentados e pensionistas.
Há muitas outras propostas que a equipe ministerial
planeja executar, mas antes precisa concluir o processo de impeachment da
presidente afastada. Tudo visando o progresso... do capital financeiro e
rentista, das empresas e indústrias, do agronegócio. Chega de ideologia, chega
de preocupação social, de combate à fome e à miséria, de direitos humanos. Os
pobres já estavam indo longe demais, viajando de avião para cima e para baixo,
ingressando nas universidades e invadindo os shopping centers. Essa história de
cotas para negros e pobres só está prejudicando a formação profissional dos
mais preparados e capazes, que irão ajudar o Brasil a se tornar um país
desenvolvido. Menos ideologia e mais progresso.
Quanto à Operação Lava Jato, esta já pode ir
caminhando para o seu desfecho, visto que cumpriu bem o papel de criminalizar o PT,
partido mais corrupto da história do Brasil, e prender suas principais
lideranças. Não tem por que prosseguir, pois as denúncias que envolvem
outros políticos e partidos são meros indícios e ilações de delatores que só
querem se livrar da prisão. Onde já se viu envolver tantos políticos
tradicionais, homens honestos e bem relacionados, inclusive com os membros
insuspeitos da Suprema Corte?
Agora, sim. Abram alas para a passagem da tocha olímpica.
Vamos celebrar com festa os jogos que unem as nações, afinal nosso país trouxe
de volta a ordem e caminha novamente rumo ao progresso.
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